BUROCRACIA, INSTITUCIONALIZAÇÃO E DITADURA DE CURSOS NOS CENTROS ESPÍRITAS
10/06/2019 12:40 em Artigos Espíritas
Aylton Paiva (secretário da Comissão Regional Sul):
Caro Divaldo, eu gostaria de ouvir o seu comentário, já que nós tratamos a respeito, anteriormente, do Estudo Sistematizado, que todos sabemos ser essencial, até para trazer a Doutrina ao Movimento Espírita. Mas, por outro lado, temos observado, na prática, a seguinte ocorrência: pessoas que precisam ficar fazendo cursos e, quando mudam de cidade, aquele lá não valeu, ela tem que fazer um outro Estudo Sistematizado para começar a trabalhar na atividade espírita, até mesmo na Assistência Social. Porque se ela não fez o curso completo do Atendimento Fraterno, ela não estaria preparada para dar um prato de sopa. Eu gostaria de ouvir o seu comentário.
Divaldo Pereira Franco:
Aí é o pecado do excesso. Às vezes, chegam pessoas em Salvador e me dizem:
— “Eu venho de tal cidade e gostaria de participar das reuniões, o que é necessário?”
— “Participar.”
— “Eu já fiz o ESDE*.”
— “Ótimo!”
Temos que confiar que a pessoa o fez, ela não tem necessidade de mentir.
— “Eu queria participar das reuniões mediúnicas.”
— “Com muito prazer. Frequente algum tempo nossa Casa, entre em afinidade conosco, vamos estar presentes para que haja uma identidade fluídica e, logo no primeiro grupo que se forme, você poderá participar.”
Para evitar reuniões com muitas pessoas, volumosas, e que não possamos atender bem, nem com qualidade. Mas acreditamos e dizemos:
— “Se você quiser repetir o ESDE, muito bem. Mas se diz que já o fez, você agora também pode ajudar-nos. Irá auxiliar aqueles que o estão fazendo, irá colaborar na Evangelização Espírita Infanto-Juvenil, irá participar dos nossos labores, pois estamos sempre precisando de evangelizadores.”
E noto que, em alguns lugares, não se tem que fazer o ESDE. Para se fazer o bem, não é necessário, como condição sine qua non, que se faça um curso. Porque senão as pessoas desprovidas de conhecimentos não teriam ensancha.
Nós temos que deixar a porta aberta para todos. O curso não é uma compulsão, não é obrigatório, é para aqueles que têm perguntas. É uma maneira de lhes oferecer material para uma maior convicção, melhor treinamento doutrinário. É uma proposta de Kardec para que nos adentremos no conhecimento espírita, a fim de estarmos perfeitamente informados dos seus conteúdos.
(...) Necessitamos, portanto, de propor o ESDE, mas não condicionar, não pecar pelo excesso: “Tem que aprender para fazer isso”. Não. Se você quiser estudar, digamos ao neófito:
— “Melhor para você.”
Agora, vamos estimular a mentalidade nova. Nosso trabalho hoje é com o jovem: a criança e o jovem ainda não comprometidos. Muitos que estão comprometidos, já idosos, terão dificuldade de abandonar as velhas ideias, os atavismos. Atendamos a todos com carinho, porém, cuidemos das gerações novas.
Livro: Conversa Fraterna – Divaldo Franco no Conselho Federativo Nacional Divaldo Pereira Franco, organizado por Geraldo Campetti Sobrinho
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